sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Presente?

O significado da palavra presente pode ser diferente dependendo – como muitas coisas na vida – do ponto de vista. Mas quero tratar, aqui, de um presente que vira passado e que ainda pode cair no esquecimento. O presente da nossa vida. Aqueles momentos lindos e espetaculares que jamais se repetirão como um evento de família, o nascimento de um filho, a união de um casal e mesmo aquelas situações mais simples como a comemoração do aniversário da sua mãe em um restaurante.

Presente é algo que não pode ser esquecido. Mesmo que o relógio insista em afirmar o contrário. O presente não faz parte dos “benefícios” da tecnologia que tornam as coisas e atos supérfluos e atordoantes. Um mundo que a tecnologia diz aproximar pessoas que antes se reuniam em casa para falar pessoalmente. Hoje, o presente é de MSN, Skype, Twitter e já nem mais é de e-mail.

Não, o presente não é isso. A tecnologia também. O que define como reagiremos nessas situações é o comportamento. A relevância que damos para o agora que já virou passado.

Aonde você vai, com tudo isso, para o seu presente? Na mala de um táxi em que esqueceu seu presente dentro de um notebook na mochila. É triste, mas é preciso alertar as pessoas que comportamentos errados geram fatos irreversíveis. Jamais o presente da pessoa esquecida retornará. Na pior das hipóteses seu presente em formato de fotografia cairá em sites pornográficos e seus vídeos no Youtube.

Tenho 33 anos e cheguei até aqui com uma mala cheia de presentes. Momentos que nunca mais voltarão, mas que estão ali – em papel – para serem lembrados sempre que meu presente insistir virar passado.

Ter história é saber de onde se veio, pelo que se passou e guardar. Sim, guardar as melhores situações da vida de forma adequada e não substituível como a alta tecnologia tenta impor. Não somos obrigados a dominar ferramentas que dia-a-dia nos angustiam. Tecnologia tem que ser usufruída com sabedoria e comportamento adequado ou estaremos propensos a cair no presente que virou passado em um notebook esquecido no táxi do Rio de Janeiro.

Maurício Pinzkoski 04.09.2010

0 comentários: